Há muitos anos atrás publiquei um site. Ele era reflexo de minha primeira experiência fotográfica mais séria: Paris, fotografada em preto e branco, com filmes TriX e uma camera totalmente manual Nikon FM3, com duas lentes fixas e luminosas, uma 28mm e uma 50mm.
Fotografada no inverno (particularmente gelado naquele ano), Paris se apresentou aos meus olhos sob a inspiração de vários famosos fotógrafos que por lá estiveram. Desde Nadar, lá por 1850, passando por Atget, Lartigue, Brassai, até Kertesz, Doisneau e Bresson. Eu buscava, assim, uma Paris clássica, já fotografada pelas lentes de vários “feras”, mas em século 21. O resultado de minhas andanças pela cidade, foi minha primeira exposição individual, chamada, não por acaso, “clássica:paris:moderna”.
Foi assim. Voltando para SP, esbarrei com o João Bittar, na Imã Fotogaleria. E o João, olhando todo o material, me disse que aquela série toda de imagens produzida em Paris só teria sentido se, de alguma forma, fosse vista. Lembro perfeitamente dele me dizendo que “a fotografia só existe quando ela é ‘publicada’, mostrada, partilhada, porque ai se opera a comunicação”. E fez mais o João: editou todo o material (na época folhas de contato, que tenho até hoje riscadas por ele. E ai, com essa especial curadoria, promovi minha primeira individual.
Segui fotografando. Cromos, filmes. Cor, muita cor. Preto, branco, cinzas. Uma coisa ali, outra aqui. Outras mostras, exposições, outras estórias. Cheguei, há tempos, nas Lomos. Me diverti com as maquininhas de plástico. Tive resultados bacanas, coias legais. Um Lomowall no Paraty em Foco.
Surgiu o instagram. A “lomografia digital”. Fotos com vazamentos de luz, efeitos, defeitos. Viragens, cyanotipos, molduras. Tudo que se fazia analogicamente, ao alcance de nossos dedos, com o telefone. E com a diferença do compartilhamento imediato. Fui muito gratificado fotograficamente com isso. Capas de revistas, matérias, exposições, cursos, debates e palestras. Muito mais qdo que eu pude imaginar que a fotografia me daria.
Minha estória com a fotografia é longa. Já fiz de tudo com ela – e ela fez muita coisa comigo.
No fundo é uma janela da alma e também para a alma. E, talvez por isso, minha fotografia seja “poética” como já disseram por ai e como o Walter Firmo me escreveu um dia.
Mas, poética ou não, o que importa é que ela faz parte de mim e eu faço parte dela, ela vive comigo, eu vivo com ela, mas não vivo dela – e isso, acho, faz toda a diferença.
Ah, viajei por aqui. Eu estava contando do site.
Vamos abreviar. Lá, muitos anos atrás, foi para o ar meu site. Era atual na época e trazia muitas de minhas fotos e vivências. Mas o fato é que aquele antigo site acabou deixado de lado, no ar, mas sem qualquer atualização, como se fosse um fantasma vagando pelas sombras da noite.
Com tanta coisa instagrâmica que aconteceu nos últimos tempos, achei que merecia um site novo. E ele está no ar. Tem um pouco de minhas fotos, em todas as suas vertentes. Tem um link para os instagrams online, um espaço para atualidades. E este blog, que continuará vivo por aqui, estará também linkado lá.
Fica então o convite. Visitem: www.raffotografia.com.br
E vamos em frente, instagramando o mundo.
